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Publicado em 18/04/2017 às 8:11 - Autor:

POLÍTICA : Cunha diz que Temer agendou reunião de PMDB e Odebrecht

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Preso em Curitiba desmentiu presidente sobre encontro que teria tratado de propina de US$ 40 mi

SÃO PAULO. Em nota escrita do complexo penal onde está preso, em Curitiba, o ex-deputado Eduardo Cunha rebateu o teor de entrevista do presidente Michel Temer, no sábado, à TV Bandeirantes. O texto foi distribuído a interlocutores próximos.

Na nota, Cunha questiona dois pontos principais: no primeiro, sustenta que o encontro de 2010 – em que delatores da Odebrecht dizem ter negociado propina para o PMDB em reunião de que ele e Temer participaram – foi “agendado diretamente” com o presidente.

No segundo, afirma que a decisão de abrir o processo de impeachment contra Dilma Rousseff, em dezembro de 2015, foi discutida com o então vice dois dias antes de ser oficializada.

Sobre o encontro delatado por ex-executivos da Odebrecht, Temer confirma a existência da reunião, realizada em seu escritório político em São Paulo, mas nega que nela tenham sido discutidos valores ou acertos escusos. Também negou, em entrevista à Band, no sábado, ter sido ele o responsável por agendar a reunião.

“(Em 2010) o Eduardo Cunha diz: ‘Há uma pessoa que quer colaborar, mas quer pegar na sua mão, quer cumprimentá-lo’. E ajustamos um dia em que eu estava em São Paulo. Eu até confesso que cheguei um pouco atrasado à reunião”, disse Temer.

Na nota, Cunha diz que “o presidente se equivocou nos detalhes”. “A referida reunião não foi por mim marcada. O fato é que estava em São Paulo, juntamente com Henrique Alves, e almoçamos os três juntos no restaurante Senzala, ao lado do escritório político dele, após outra reunião, e fomos convidados a participar dessa reunião já agendada diretamente com ele”.

Cunha diz, no entanto, que no encontro “não se tratou de valor nem (se fez) referência a qualquer contrato daquela empresa”.

“A conversa girou sobre a possibilidade de possível doação e não corresponde à verdade o depoimento do executivo”, escreveu.

Os delatores da Odebrecht sustentam ter recebido, nesse encontro, a chancela de Temer para o pagamento de US$ 40 milhões em propina a integrantes do PMDB.

Impeachment. Na mesma nota, Cunha afirma que sua decisão pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff foi previamente submetida ao então vice. Segundo ele, o parecer foi avalizado juridicamente por Michel Temer. “O verdadeiro diálogo ocorrido sobre o impeachment com o então vice-presidente, às 14h da segunda-feira, 30 de novembro de 2015, na varanda do Palácio do Jaburu, 48 horas antes da aceitação da abertura do processo de impeachment, fui submeter a ele o parecer que aceitava o impeachment”, escreveu Cunha.

“O parecer, preparado por advogados de confiança mútua, foi debatido e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico”, explicou o ex-deputado federal.

Na mesma entrevista à Band, no sábado, Temer havia dito que Cunha o procurara para dizer que, como o PT havia prometido votar a seu favor no processo de cassação que tramitava no Conselho de Ética, o então deputado decidira engavetar os pedidos.

Depois, no entanto, quando o PT anunciou posição favorável a sua cassação – seguiu Temer –, Cunha voltou a procurá-lo para dizer que o acordo tinha ruído e que o processo seria aberto.

Condenação

Sentença. Em março, Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.

Fonte : O Tempo

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