Destaque Negócios
Publicado em 13/11/2017 às 15:20 - Autor:

NEGÓCIOS: Paraguai tenta atrair indústrias brasileiras

assunccao_assuncion__capital_paraguai__secretaria_nacionaldo_turismo_senaturdivulgascao-1460745

Thiago Copetti

Energia barata, impostos reduzidos e menos encargos trabalhistas estão entre os sonhos de consumo de 10 entre 10 empresários brasileiros. E é isso que o Paraguai está oferecendo para indústrias que se estabelecem por lá. Traduzindo em números: o custo da energia é cerca de 70% mais barato do que no Brasil, exportações e importações de matérias-primas e equipamentos são isentas de qualquer taxa e os impostos e encargos sobre os salários oneram em apenas cerca de 30% a folha de pagamento (ante até 110% em solo brasileiro). O esforço deu resultados significativos nas exportações do país, que em 2016 atingiu recorde, sobretudo a partir de operações industrias instaladas recentemente, principalmente no entorno de Assunção, capital do país, e Cidade do Leste. As vendas internacionais crescem continuamente: nos últimos dois anos a alta foi de 25% com o faturamento atingindo US$ 313 milhões. Tudo isso graças ao conjunto de benefícios englobado na Lei de Maquila, que existe desde 1997 e ganhou força com a crise brasileira. Nos últimos três anos, cerca de 80 empresas do Brasil cruzaram a fronteira. O número de companhias gaúchas que passou para o outro lado ainda não é representativo, mas o governo de Horacio Cartes está de olho no Estado.

“O volume de indústrias do Rio Grande do Sul ainda fica atrás de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e mesmo do Mato Grosso. Mas estivemos no Rio Grande do Sul em 2016 em mais de um encontro de negócios e já temos duas missões de empresários do Estado desembarcado aqui até o final de fevereiro”, comemora o diretor de promoção de investimento do Ministério de Indústria e Comércio, Carlos Paredes Astigarraga. Um vídeo que circula pelo WhatsApp e nas redes sociais mostrando a investidores as benesses paraguaias “viralizou” entre empresários e passou inclusive pelo celular do presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Heitor Müller, retratando bem as armas paraguaias nesta batalha econômica. Para Müller, um dos números paraguaios mais significativos é a limitadíssima mordida tributária. Para exportações há isenção de qualquer imposto e, nas vendas internas, há uma taxa única de 10%. A disparidade da realidade nacional em relação à apresentada no vídeo paraguaio derruba ânimos por aqui e seduz empresários a pensar na migração. “No Estado, apenas o ICMS é de 18%. E há mais 9,25% de PIS/Cofins. A burocracia e os custos por aqui são absurdos. As empresas realmente ficam atraídas pelo que veem. O receio é que, dando certo, acabem gostando do ambiente e ficando apenas por lá”, alerta o presidente da Fiergs. Apesar de acreditar que o caso deveria servir de alerta ao governo brasileiro, Müller não tem muitas esperanças de mudanças no cenário local em pouco tempo. Inicialmente, algumas empresas manteriam unidades no Paraguai e no Brasil e, depois, estariam optando por manter uma só. Esse alerta é feito por Reomar Slaviero, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs). “Isso acaba sendo um dilema para a indústria, infelizmente. Tentamos reduzir custos e melhorar a produção, mas chega uma hora em que a empresa não vence mais o sistema tributário e de custos do Brasil e acaba migrando mesmo”, lamenta o presidente do Simecs. A entidade, por sinal, recebeu no ano passado uma missão paraguaia na Serra. Questionado sobre as razões da visita, já que obviamente o sindicato não tem a intenção de promover a fuga de indústrias do Estado, Slaviero ressalta que a ideia principal é abrir mercados. O que não quer dizer que a entidade não ignore o assédio. “Claro que para nós é ruim e ninguém quer que nossas empresas vão embora. Mas também não podemos negar ao empresário conhecer as oportunidades de mercado e de negócios”, pondera Slaviero.

Banco paraguaio pode ajudar empresas gaúchas a mudar de endereço

Sediado em Porto Alegre, NBCBank oferece financiamento Banco paraguaio pode ajudar empresas gaúchas a mudar de endereço CLAITON DORNELLES/JC Uma das maiores instituições financeiras do Paraguai, o Banco Continental está entre as apostas do governo do país para atrair companhias gaúchas. Com sede em Porto Alegre, o braço brasileiro da instituição, o Novo Banco Continental (NBCBank), tem como um dos focos de trabalho ajudar empresários do Estado a obter financiamento para abrir unidades do Paraguai. E, ao que parece, interessados não estão faltando. Gerente-geral do NBCBank em Porto Alegre, Karen Lopes ingressou na instituição paraguaia logo após a aquisição do Banco Comercial do Uruguai pelo Banco Continental, em 2013. Karen assegura que a busca de empresários gaúchos por informações sobre linhas de financiamento para investir no Paraguai começou a aumentar no segundo semestre de 2016. E vem em um crescente. “Ajudamos empresários gaúchos a mostrar as garantias para conseguir financiamentos no Paraguai. Assim como em qualquer lugar, para obter financiamento é preciso oferecer garantia, o que não é fácil para quem está chegando em um novo país sem qualquer bem ou recebíveis, porque sequer começou a produzir. Apoiamos a integração do patrimônio que a empresa tem no Brasil com as exigências locais do Banco Continental no Paraguai”, explica a executiva da instituição, que também conta com filiais em Caxias do Sul e Joinville. Desde que o interesse se intensificou, diz Karen, três empresas gaúchas já assinaram contratos com o Banco Continental e investiram no Paraguai.

{'nm_midia_inter_thumb1':'http://jcrs.uol.com.br/_midias/jpg/2017/01/29/206x137/1_paraguai-1461164.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'588e54300b462', 'cd_midia':1461164, 'ds_midia_link': 'http://jcrs.uol.com.br/_midias/jpg/2017/01/29/paraguai-1461164.jpg', 'ds_midia': 'arte p 12', 'ds_midia_credi': 'jc', 'ds_midia_titlo': 'arte p 12', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '596', 'cd_midia_h': '377', 'align': 'Left'}

Fonte: http://jcrs.uol.com.br

 

Comentários