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Publicado em 27/07/2017 às 10:35 - Autor:

LAVA JATO: Imagens mostram ação da PF que prendeu ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil

bendine

Prisão foi feita na manhã desta quinta-feira, em condomínio de alto padrão em Sorocaba (SP). Advogado classificou prisão como “desnecessária” e “arbitrária”.

Aldemir Bendine foi preso em nova fase da Lava Jato em Sorocaba (Foto: Reprodução/TV TEM )

Lava Jato: PF prende ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil em Sorocaba

Lava Jato: PF prende ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil em Sorocaba

Imagens feitas com exclusividade pela TV TEM mostram a ação da Polícia Federal que prendeu o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine, em um condomínio de alto padrão em Sorocaba (SP), na manhã desta quinta-feira (27). A prisão faz parte da 42ª fase da Operação Lava Jato.

As imagens mostram o momento em que viaturas descaracterizadas da PF chegam à residência do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil. (Assista ao vídeo acima)

A polícia permaneceu por duas horas na casa de Bendine, onde apreendeu dezenas de documentos. Os policiais saíram do local por volta de 8h40.

Batizada de Cobra, a operação da PF também cumpre 11 mandados de busca e apreensão. A PF prendeu outras duas pessoas que são suspeitas de operar a propina da empreiteira para Bendini: os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, sócios em uma agência de publicidade, a Arcos Propaganda.

O MPF afirma que, quando comandava o Banco do Brasil, Bendini pediu R$ 17 milhões à Odebrecht para rolar uma dívida da empresa com a instituição, mas não recebeu o valor. Na véspera de assumir a Petrobras, pediu mais R$ 3 milhões para não prejudicar os contratos da estatal com a empreiteira. O valor foi pago em 2015.

Naquele ano, Bendine era braço direito da então presidente Dilma Rousseff. E havia deixado o banco com a missão de acabar com a corrupção na petroleira, alvo da Lava Jato. Mas, segundo delatores da Odebrecht, ele já cobrava propina no Banco do Brasil e continuou cobrando na Petrobras.

Aldemir Bendine durante coletiva de imprensa em janeiro deste ano no Rio de Janeiro, quando ocupava a presidência da Petrobrás (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo/Arquivo) Aldemir Bendine durante coletiva de imprensa em janeiro deste ano no Rio de Janeiro, quando ocupava a presidência da Petrobrás (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo/Arquivo)

Aldemir Bendine durante coletiva de imprensa em janeiro deste ano no Rio de Janeiro, quando ocupava a presidência da Petrobrás (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo/Arquivo)

Prisões

Bendine deve chegar à Superintendência da PF, em Curitiba, no período da tarde. Os demais presos também serão levados para o Paraná.

Os três suspeitos foram presos temporariamente. A prisão tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo ou convertida para preventiva, que é quando o investigado não tem prazo para deixar a cadeia.

O advogado do ex-presidente, Pierpaolo Bottini, afirmou, em nota, que desde o início das investigações Bendine se colocou à disposição para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários ao inquérito, demonstrando a regularidade de suas atividades. “A cautelar é desnecessária. É arbitrário prender para depoimento alguém que manifestou sua disposição de colaborar com a justiça desde o início”, declarou o advogado.

G1 tenta contato com a defesa dos demais presos.

Investigações

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há evidências indicando que, numa primeira oportunidade, um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi realizado por Aldemir Bedine à época em que era presidente do Banco do Brasil, em 2014, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial.

No entanto, Marcelo Odebrecht e Fernando Reis teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do Banco do Brasil, segundo o MPF.

Na véspera de assumir a presidência da Petrobras, o que ocorreu em 6 de fevereiro de 2015, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros novamente solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis. O pedido foi feito para que a Odebrecht não fosse prejudicada na Petrobras, inclusive em relação às consequências da Operação Lava Jato, apontam os procuradores do MPF.

Ex-presidente da Petrobras é preso temporariamente em nova fase da Lava Jato

Ex-presidente da Petrobras é preso temporariamente em nova fase da Lava Jato

Em decorrência do novo pedido e com receio de ser prejudicada na estatal petrolífera, a Odebrecht, conforme depoimentos de colaboradores, optou por pagar a propina de R$ 3 milhões através do Setor de Operações Estruturadas. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo.

Ainda de acordo com o MPF, em 2017, um dos operadores financeiros que atuavam junto a Bendine, confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil. Todavia, a investigação revelou que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada, destaca o MPF.

“Buscando dar aparência lícita para os recursos, o operador financeiro, após tomar ciência das investigações, efetuou o recolhimento dos tributos relacionados à suposta consultoria, cerca de dois anos após os pagamentos, com o objetivo de dissimular a origem criminosa dos valores. Há indícios que a documentação também foi produzida com intuito de ludibriar e obstruir as investigações”, afirmaram os procuradores.

 Fonte: G1

 

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