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Publicado em 06/05/2017 às 7:45 - Autor:

ESPORTE : Corinthians, a “quarta força de São Paulo” reencontra seu passado contra a Ponte Preta

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Timão encara a Macaca 40 anos depois da decisão histórica, que findou longo jejum de títulos e estigma de mais fraco dos quatro grandes paulistas

O Corinthians busca o seu 28º Campeonato Paulista, na tarde deste domingo, às 16h (horário de Brasília), na Arena Corinthians, contra a Ponte Preta, adversário de outra histórica decisão do estadual. Em 1977, o clube da zona leste de São Paulo quebrou um jejum de quase 23 anos sem títulos ao vencer o esquadrão campineiro por 1 x 0, no terceiro jogo da final. Assim como há quatro décadas, o estigma de “quarta força de SP” voltou a fazer parte da rotina corintiana, e foi gradativamente espantado pelo eficiente time comandado do técnico Fábio Carille. No jogo de ida, em Campinas, vitória por 3 x 0 (Rodriguinho, duas vezes, e Jadson), deixando o time paulistano muito próximo de mais uma conquista.

Apesar das recentes boas atuações, a nódoa carregada pela equipe alvinegra em 2017 se justifica: no ano anterior, eliminações precoces em Copa Libertadores, Paulistão e Copa do Brasil, e o insosso 7º lugar no Campeonato Brasileiro, além das perdas de peças importantes do elenco – mal repostas, posteriormente – e constantes trocas de técnicos, compuseram a frustrante temporada do clube.

Enquanto isso, o Corinthians, que fora campeão nacional em 2015, com Tite e companhia, via o sucesso dos três rivais: o Santos venceu seu quinto estadual dos últimos sete disputados, o Palmeiras garantiu o Brasileirão e o São Paulo, apesar de passar 2016 em branco, se preparou melhor para o ano seguinte, com a chegada do ídolo Rogério Ceni para o cargo de treinador, e de contratações como as de Lucas Pratto e Jucilei, entre outros.

Ainda que o elenco corintiano não alegrasse a torcida e fosse inferior aos plantéis rivais, Fábio Carille construiu um time sólido na defesa – a melhor do Paulistão, com dez gols sofridos – e pragmático no ataque – sete das 12 vitórias no ano foram por um gol de diferença -, que, assim, surpreendeu ao vencer Palmeiras, Santos e São Paulo e chegar à final do Paulistão. Um “azarão” que não precisou contar com a sorte, pois mereceu, dentro de campo, os resultados alcançados nos primeiros meses de 2017.

Entre Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, são 24 jogos disputados no ano: 13 vitórias, nove empates e duas derrotas, com 29 gols marcados e 13 sofridos. Praticamente metade dos tentos anotados pelos corintianos veio de Jô e Rodriguinho. O primeiro, centroavante titular da equipe, marcou quatro de seus sete gols em clássicos paulistas, além de dar a assistência para Rodriguinho abrir o marcador no primeiro jogo da final, no Moisés Lucarelli. Em Campinas, o meia ainda deu um passe para Jadson superar Aranha e ampliar o placar, e balançou as redes outra vez – a sétima, em 2017 -, fechando o triunfo por 3 x 0. Enquanto a defesa formada por Fagner, Pablo, Balbuena e Arana mantém a força defensiva – passou 13 das 24 partidas sem ser vazada -, a dupla formada por “God of Clássicos” e “Deusdriguinho”, como são carinhosamente chamados pela torcida, é a principal arma do treinador de 43 anos para manter um ataque eficiente.

Título histórico e quebra de jejum

22 anos, oito meses e sete dias sem comemorar sequer um título. Essa foi a realidade da torcida do Corinthians entre fevereiro de 1955, quando venceu o Paulistão de 1954 – o torneio teve sua fase final disputada no ano seguinte ao de seu início – e outubro de 1977, mês em que pôde soltar o grito que entalara as gargantas de milhões de alvinegros por mais de duas décadas. Enquanto isso, taças estaduais, nacionais e internacionais preenchiam as salas de troféus de Palmeiras, Santos e São Paulo.

Com essa descrença começava 1977 para o Timão, comandado por Oswaldo Brandão, ídolo da torcida corintiana e, coincidentemente, vencedor do último título antes da fila, o Paulista de 54. Brandão, conhecido por ser um ótimo motivador e gestor de elencos, chegava para acabar com o fantasma do jejum, mas tinha em mãos um plantel de jogadores considerado aquém dos demais adversários paulistas. Entre eles, a ótima Ponte Preta, que contava com os selecionáveis Oscar (presente nas Copas de 78, 82 e 86) , Polozzi (78) e Carlos (78, 82 e 86), além de ter como armador o meia Dicá, maior ídolo da história do clube. Assim como em 2017, o Corinthians superou seus grandes rivais em seu caminho até o jogo do título.

Após deixarem para trás equipes como Santos, Palmeiras, São Paulo, Portuguesa e Guarani, Corinthians e Ponte encontraram, na decisão, um divisor de águas: entre 1954 e 1977, o alvinegro paulistano, grande clube em âmbito nacional, havia sido vice-campeão em seis oportunidades, sendo duas delas em finais (Paulista de 74 e Brasileiro de 76), e precisava, mais do que nunca, de um título importante; o campineiro, equipe mais longeva do Brasil em atividade, nunca havia sido campeão, e chegava à primeira final de sua história com a intenção de se consolidar como uma das maiores equipes do estado.

PARA SEMPRE BASÍLIO

CORINTHIANS: Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Romeu. Téc.: Oswaldo Brandão

PONTE PRETA: Carlos, Jair, Oscar, Polozi e Ângelo; Wanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta (Parraga). Téc.: José Duarte

Local: Estádio do Morumbi – São Paulo (SP)

Data: 13/10/1977

Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia (SP)

Público: 86.677

Renda: Cr$ 3.325.470,00

Gol: Basílio (36 – 2º)

No primeiro jogo, 1 x 0 para o Corinthians, com gol de Palhinha. No segundo, Dicá e Rui Rei deram a vitória por 2 x 1 para a Ponte contra o Timão, que descontou com Vaguinho. Como não existiam critérios de desempate para definir o campeão, um terceiro jogo foi forçado. Assim como nos dois outros confrontos, o palco da finalíssima seria o Morumbi. 86.677 pessoas receberam a decisão na zona oeste paulistana, e viram um jogo dificílimo para os dois lados, vencido pela insistência corintiana, retratada no gol do triunfo: aos 36 minutos da etapa final, após um longo “bate-rebate” na área pontepretana e duas finalizações bloqueadas, a bola parou no ar, presenteando Basílio: ele chutou firme e marcou o gol que findou o jejum e deu sequência à sina dos campineiros.

A conquista abriu caminho para o período mais vencedor da história do alvinegro paulista, que conquistou, nessas quatro décadas, 27 títulos, entre eles seis Campeonatos Brasileiros, três Copas do Brasil, uma Copa Libertadoras e dois Mundiais de Clubes. Por outro lado, a Ponte, que completará 117 anos em agosto, seguiu sem ao menos um título de expressão. Além da pressão para acabar com a marca negativa, a Macaca tem uma desvantagem de três gols para reverter na Arena de Itaquera, que pode ter seu primeiro título desde sua construção, em 2014.

RIO-SÃO PAULO DE 66, O TÍTULO QUE NÃO VALEU

O Corinthians poderia ter acabado com o jejum de títulos em 1966, quando ainda durava “apenas” 12 anos. O Torneio Rio-São Paulo daquele ano, disputado em pontos corridos entre dez equipes, chegou à sua última rodada com o Vasco na liderança, com 11 pontos, Corinthians e Santos, com 10, e Botafogo, com 9. Na jornada decisiva, os alvinegros do Rio de Janeiro se enfrentaram, assim como os alvinegros de São Paulo. Na Cidade Maravilhosa, 3 x 0 para o Fogão, que fechava sua participação no campeonato com os mesmos 11 pontos do Gigante da Colina – àquela época, as vitórias valiam dois pontos. Em São Paulo, Timão e Peixe ficaram no empate por 0 x 0, que levou ambos à mesma pontuação da dupla carioca. Assim, com o empate em pontos e o calendário enxuto, já que a Copa do Mundo se aproximava e a seleção brasileira contava com muitos atletas dos times envolvidos, as quatro equipes foram declaradas campeãs pela CDB (Confederação Brasileira de Desportos), entidade que administrava o futebol brasileiro. Embora o título fosse reconhecido pela federação nacional, o fato de ser dividido entre mais três clubes o fez não ter valor para o Corinthians, tampouco para os outros times vencedores. Portanto, o período da fila corintiana seguiu por mais 11 anos, até a memorável final de 1977.

Fonte : El Pais

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