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Publicado em 15/08/2016 às 15:14 - Autor:

Candidato à Prefeitura de Campinas, Dr. Hélio promete limpeza na máquina pública

Considerado morto politicamente desde o dia 20 de agosto de 2011 – quando teve o mandato cassado pela Câmara de Vereadores por omissão e negligência em supostas fraudes em contratos públicos –, o médico Hélio de Oliveira Santos está de volta à cena. E quer retomar a cadeira de prefeito – que ocupou por quase 7 anos, quando caminhava para completar o terceiro ano do segundo mandato. Se diz inocente. “Não cometi crime”, sustenta. Diz que foi tirado do poder por ‘”inimigos”, mas avisa que só vai identificá-los no segundo livro sobre sua vida, que ainda está sendo escrito. (O primeiro foi lançado há cerca de 1 mês).

Nascido em setembro de 1950 em Corumbá-MS, migrou para São Paulo. Em 1966, antes de completar 16 anos, se mudou para Campinas. Estudou medicina na Unicamp (especializou-se cirurgião pediátrico) e foi professor na Faculdade de Medicina da PUC-Campinas.

Hélio ataca “inimigos”, mas na campanha vai centrar fogo no atual prefeito, Jonas Donizette (PSB). Diz que a saúde está um caos e promete fazer uma limpeza na máquina pública. “Vou mandar fazer uma auditoria nas contas e varrer os chupins da prefeitura”.

Além da cassação, Hélio ainda teve cinco contas rejeitas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo em decisões que acabaram mantidas pela Câmara, numa condição que aponta para uma improvável confirmação da candidatura pela Justiça Eleitoral. Mas ele garante ter estratégia para vencer nas duas frentes. Só não conta qual é.  Leia abaixo trechos da entrevista concedida ao Metro Jornal.

Como o senhor planeja garantir a sua candidatura com todos os problemas que enfrenta na justiça?

A garantia da candidatura pertence, por lei federal – a Lei Orgânica dos Partidos – ao próprio partido político. Agora, as questões de natureza jurídica que podem ensejar a eleição, estão numa outra seara, a da justiça, tanto eleitoral quanto comum. Essas questões vinculadas a perseguição política que venho sofrendo desde janeiro de 2008 – e poucos sabem disso, mas tenho material para comprovar. Desde o primeiro período da minha campanha para ser reeleito, essa perseguição política pressupõe um trato na justiça comum, não eleitoral. E isso está sendo feito dessa maneira, estamos trabalhando na justiça comum.

Mas como o senhor pretende enfrentar o risco de impugnação?

O período de impugnações vai até dia 16 de setembro, mas você não pode deixar de crer que meus adversários políticos não vão entrar com impugnações, e aí vai se tratar na esfera da Justiça Eleitoral. Eu não vou trazer à baila o que vou fazer para que meus adversários, que já estão gastando muito dinheiro tentando me impedir, saibam. Eles que têm que aprender. Não é? Eu vou, do meu lado, lutar como nunca, no sentido de mostrar que aquelas situações que são colocadas por pseudo-sociólogos e analistas políticos e em certa parte da imprensa com argumentos que são do bê-á-bá do alfabeto político partidário e eleitoral. Eu não vou ensinar a eles.

Mas o senhor tem problemas na rejeição de contas e na questão da cassação…

Temos que analisar muito bem contas que sejam consideradas não dolosas e sem crime, porque elas não ferem a lei da Ficha Limpa. Não pressupõem inelegibilidade. O Tribunal de Contas é um órgão auxiliar da Assembleia Legislativa, aliás, um Tribunal de Contas como esse, do Estado de São Paulo, que é extremamente falível, onde tem um ex-presidente e executor da minha conta afastado pela justiça brasileira depois de ser condenado pela justiça da Suíça. Do outro lado, tem a questão da inelegibilidade, que acompanha em algumas ocasiões um processo de impedimento de prefeito. Fui impedido, não por crime, e sim por uma ação política que estabeleceu que houve omissão. Tenho provas mais do que contundentes que jamais fui omisso sob qualquer circunstância.

Quem seriam seus perseguidores e que tipo de perseguição o senhor sofreu?

Vamos ter o momento especial de falar, mas não vai ser o principal motivo da minha campanha. O motivador da minha campanha vai ser mostrar que a perseguição política trouxe prejuízos, alguns até irreversíveis ao povo. Você vê as situações em que se encontram na cidade, a precarização da saúde, a ausência de médicos e medicamentos básicos, atendimento de urgência e emergência precário. Pela primeira vez na história de Campinas houve um bicampeonato de epidemia de dengue! Por muito pouco essa cidade não iria para o tricampeonato. A questão da crise de água, da dengue, e em meio a tudo isso, eu questiono onde está a Promotoria Pública? A Câmara de Vereadores, por exemplo, eu nunca vi tomar uma posição clara contrária a esse processo e aos agentes públicos, que são responsáveis e omissos em tomarem uma posição com relação tanto a restrição da água quanto das grandes epidemias. A Campinas que eu deixei, era a melhor cidade para trabalhar e viver, numa época em que o IDH estava entre os melhores do Brasil em se tratando de cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Hoje, Campinas é a antipenultima em IDH. Veja a que ponto chegamos.

Como o senhor pretende trabalhar a rejeição ao seu nome?

A questão dessa rejeição foi totalmente construída por uma mídia associada a grandes empreendedores e pessoas que tinham interesse numa chamada reforma urbana, tentando modificar o Plano Diretor, e esse povo trabalhou uma mudança porque sabia que eu não tergiversaria nesse sentido. Não mudaria o Plano Diretor sem ter cumprido aquilo que de fato a lei preconiza.

Uma das acusações que recaíram sobre seu governo foi justamente em relação a Lei de Uso e Ocupacão do Solo, empreendimentos…

Ao contrário! Nunca liberei um loteamento nessa cidade. Depois que saí, existem vários loteamentos liberados. O último loteamento que entreguei em Campinas e que já vinha há uma década sendo estudado era o Swiss Park, que estava encalhado há mais de dez anos. Mas era uma situação legalizada tanto do ponto de vista da legislação administrativa quanto do meio ambiente, e este eu assinei. Mas me aponte outro loteamento que tenha saído na minha época e que tenha escamoteado esse papel que deixei bem claro no meu Plano Diretor.

Mas foi durante o seu governo que isso aconteceu…

Que não foi dada contrapartida? Não existe hipótese disso. O que eu colocava claramente é que o povo não poderia fazer loteamentos para privilegiar só fazendeiros. Transformar alqueire em metro quadrado, vintém em milhão. Eu não sou criança, vim e participei como deputado titular do Estatuto das Cidades. Sei muito bem como devem ser essas regras para não privilegiar somente os donatários de terra. Sempre procuraram burlar esse tipo de método e eu sempre exigi as contrapartidas necessárias que tivessem dentro desse cotejo em que o indivíduo não poderia lotear só para ganhar dinheiro, e sim para trazer benefícios diretos.

Analistas dizem que o senhor tem grande rejeição na classe média e classe média alta. Como o senhor vai trabalhar com isso?

Vou trabalhar. Essa rejeição ocorre por conta de desinformação ou informação distorcida por interesses pecuniares. É por isso. Não há possibilidade da classe média ficar levando em conta boatos e não perceber que quem trouxe desenvolvimento para Campinas e deu condições para a cidade ter empregos fui eu, no meu governo. Não é possível que a classe média alta não saiba disso. Chamar investimento privado para cá, não só sei fazer, como fiz. Palavras são como o vento, o que ficam são as obras e no meu caso basta andar e ver o quanto eu trouxe para Campinas. O que trouxe a administração atual? Esse governo está com cofres vazios, não trouxe investimentos, só trabalhou o que eu já tinha como investimento aprovado. De lá para cá, estão com cofres vazios e contas sem pagar há meses, principalmente serviços. O transporte piorou, embora tenha mais que triplicado o gasto com incentivos e subsídios, que na minha época não chegava a um milhão e o dele já está quase em 100 milhões. Como que pode? E não é só isso que eles estão devendo. Esse governo terminou 2015 com quase R$ 390 milhões de restos a pagar. Vai deixar restos a pagar no final do ano, de mais de meio bilhão de reais. Ele (o prefeito) Jonas Donizette vai sair e se por acaso ele ganhasse uma eleição dessas, não assumiria, porque esses dois quadrimestres que estão findando pela Lei de Responsabilidade Fiscal, ele já está condenado e não assumiria. Mas Deus é grande e sabe que não há mal que sempre dure.

Mas o governo Jonas diz ter recebido uma herança maldita.

Não é verdade, isso aí é pura basófia. Quando um indivíduo não tem como se explicar e não consegue entregar nada para a população, se esconde através dessa “herança maldita”. Eu me contraponho colocando as heranças benditas. Qual a herança bendita que ele é capaz de colocar numa só mão de dedos? Enquanto isso eu fiz o Complexo Ouro Verde, a expansão de Viracopos juntamente com o governo federal, Pronto-Socorro do Campo Grande, o Túnel Joá Penteado, um parque aquático e olímpico, o parque das águas, naves-mães espalhadas em todos os quatro cantos da cidade. Fiz o Bilhete Único, entreguei mais de 28 mil moradias populares em Campinas. Até esqueci um bocado. Enquanto isso, o Jonas não consegue encher a palma de uma mão de obras que fez.

Se o senhor for eleito qual será sua primeira medida?

Uma auditoria em primeiro lugar. Depois, varrer os chupins dessa prefeitura, os altos comissionados. Se somarmos todos esses alto comissionados, nesse período do início do governo Jonas até hoje, soma mais de R$ 150 milhões de prejuízo e pagamento para pessoas comissionadas por benesses, ou parente de vereador, ex-vereador, parente de secretários e outros. Eu deixei para a Sanasa milhões de reais de investimento de patrimonial e um caixa de mais de R$ 85 milhões e hoje há uma dívida de cerca de R$ 280 milhões. Isso falando de uma só instituição.

O que o senhor mudaria na saúde?

Mudaria totalmente. A saúde está precarizada. Foi muito mal cuidada essa questão da dengue. Na minha administração houve uma pequena epidemia de 7 mil e poucos e reduzi muito. Hoje, estamos enfrentando até epidemia de caxumba! Eu posso dizer o seguinte: nunca foi um serviço tão deixado para trás e abandonado do que o atendimento de urgência-emergência.

O que o senhor pensa em fazer com relação aos contratos de transporte coletivo?

O transporte coletivo não pode ser pago, como está sendo, às escuras. Simplesmente com qualquer problema de caixa, no dia seguinte tem um emergencial para pagar, que dura dois ou três meses. Além disso ser irregular e ilegal, propicia o esvaziamento do dinheiro de investimento.

No lixo, o senhor vai interromper a transferência para Paulínia?

O próprio governo interrompeu, com os mesmos contra-argumentos daquilo que o levou a assinar isso. Levar ônibus cheio de lixo numa estrada para Paulínia? Quiseram isso na minha época e eu jamais concordei. Por que se interrompeu o procedimento que tinha aqui de adquirir uma área que custaria R$ 800 mil ou R$ 1 milhão e já estava previsto para que pudéssemos tratar no nosso próprio setor sem necessidade de transbordo?

O que o senhor pretende fazer com o BRT?

Quem fez esse projeto fomos nós, tínhamos o VLP, depois transformado em BRT. O sistema e modelo é o mesmo. Em setembro de 2010, tínhamos aprovado R$ 650 milhões para esse projeto. Tínhamos muito pouco de contrapartida e eles conseguiram, não sei como, transformar em menos, apenas R$ 385 milhões, e transformaram em financiamento com uma contrapartida que não tem hoje no caixa para dar. Buscaram empréstimos em bancos que não aceitaram porque não tem uma situação de orçamento que possibilite o empréstimo.

Como o senhor imagina que será sua relação com a Câmara? 

Será uma relação de independência, como sempre acreditei. Eu nunca conversei isoladamente com vereador. Não pode existir interdependência que faz mal a Campinas. Estamos diante de um escândalo de merenda escolar e eu não vi um embate, uma CPI, nem nada. Estamos diante de um outro partido desse governo, que foi loteado, e na época foi uns 10 partidos políticos, e agora vai ser loteado por 23 partidos! Eu sou contra loteamento.

Mas a Câmara também era subserviente no seu governo…

Mas a mim não. Pode ser subserviente a alguns setores do seu interesse. Eu não pedi a subserviência de vereadores, nunca fiz reunião para pedir qualquer coisa. Todos sabem disso e pode perguntar a eles. Estou pronto para responder a qualquer um deles.

Fonte: Metro Jornal.

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