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Publicado em 31/01/2018 às 8:24 - Autor:

Alckmin 1: história de que governador pode atuar para impedir candidatura tucana em SP é pura conversa mole. Entenda por quê

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Governador Geraldo Alckmin: é papo-furado a história de que governador atua para PSDB não ter candidato em SP

Não há a menor hipótese de o PSDB de São Paulo não ter candidato ao governo de São Paulo. Contabilizo na cota do delírio, ou da mera plantação, a história de que, em favor do projeto presidencial, o governador Gerado Alckmin poderia apoiar a candidatura do atual vice-governador, Márcio França (PSB), forçando os tucanos a sair da disputa. Cumpre dizer: quando quero falar com políticos e pessoas públicas, sou, na esmagadora maioria das vezes, bem-sucedido. Em on ou off, isto é, para registrar suas respectivas falas ou apenas para ter informações de bastidores. Muito cuidado com o off. Quando um político não quer que um determinado conteúdo lhe seja atribuído, pode-se apenas estar diante da fofoca. Sigamos.

Para escrever este texto, decidi não falar com políticos. Só com os fatos e com a lógica. Nesta segunda, verei se o governador pode me atender por alguns minutos. Antes, vai aqui uma apuração que nada tem a ver com pessoas, com subjetividades, com anseios. E com fofoca. Vou demonstrar por que esse negócio de o PSDB não ter candidato é apenas um despropósito, pouco importando quais sejam as movimentações de bastidores.

1: O PSDB está no poder no Estado há 24 anos. É sua fortaleza. Na eleição deste ano, são razoáveis as chances de emplacar um sétimo mandato. Que sentido faria o partido recusar aquela que tem sido a vontade do eleitorado? Só um suicida político faria tal escolha;

2: Por que o PSDB seguiria esse caminho? O PSB tem apenas 32 deputados. Isso acrescentaria alguns segundos à campanha de Alckmin. França não tem o comando do partido nacional, que voltou a olhar para a esquerda. Se Lula fosse o candidato do PT, a aliança com o ex-presidente seria certa. Mesmo que um acordo viesse a ser feito, boa parte dos ditos socialistas estaria, na prática, empenhada na campanha de alguém de esquerda;

3: A eleição presidencial de 2018 será tudo, menos fácil. Será que faz sentido renunciar à disputa ao segundo cargo mais importante do país num cenário nacional absolutamente incerto e instável? Ainda que Alckmin pudesse fazer tal aposta — coisa de que, sinceramente, duvido —, acho que o tucanato não faria;

4: E por que a “onda França” nos bastidores? Decidindo se candidatar à Presidência, Alckmin terá de se desincompatibilizar em abril. O vice, guindado à titularidade, terá seis meses para se mostrar uma alternativa viável ao governo do Estado. Tudo indica que França faria mudanças no primeiro escalão, convocando homens de sua confiança. O titular dos Bandeirantes, qualquer que seja, sempre terá força para mobilizar prefeitos, deputados estaduais etc. Mas atenção! Mobilizar para reuniões não quer dizer mobilizar para a eleição.

5: Os tucanos contam com quatro pré-candidatos ao governo de São Paulo. Havendo ao menos dois, não há saída possível que não as prévias, consagradas, diga-se, na eleição de João Dória à Prefeitura. A janela para que deputados federais e estaduais mudem de partido sem risco de perda de mandato começa em 7 de março e se estende até 7 de abril. Obviamente, o processo tem de ser levado a efeito depois desse intervalo. Fazê-lo antes corresponderia a dar aos derrotados a chance de cair fora do partido só porque perderam o jogo. Aí não dá.

6: Com a desistência de José Serra, estão na disputa o prefeito João Doria — que, a meu juízo, deveria ficar na Prefeitura —, o cientista político Luiz Felipe D’Ávila, Floriano Pesaro (atual secretário de Desenvolvimento Social do governo) e o ex-senador José Aníbal. À disputa, senhores! O resto é papo-furado.

Fonte: redetv.uol.com.br/blog/reinaldo

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